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“E se algo der errado?” O custo emocional de esperar por um desastre que talvez nunca aconteça

  • Foto do escritor: Itana Hegouet
    Itana Hegouet
  • 18 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Homem sentado, curvado, com a mão no rosto, expressa cansaço e sofrimento emocional. As sombras ao fundo simbolizam pressão interna, medo e sobrecarga invisível que se manifestam no corpo

Você já se pegou pensando: “E se eu não conseguir?”, “E se algo der errado?”, “E se acharem que eu sou um fracasso ou que não sou bom o suficiente?” E, antes mesmo de qualquer coisa acontecer, o coração já acelera, você sente o corpo tenso e começa a pensar em mil cenários catastróficos? Esse tipo de pensamento é um dos motores da ansiedade. Ele nos faz viver em constante estado de alerta, antecipando problemas que nem sempre existem. Entender por que isso acontece e como lidar são etapas importantes para desenvolver estratégias eficazes e a equilibrar as emoções, em vez de deixar que as preocupações e a ansiedade te paralisem ou te coloquem em um estado de hipercompensação, onde você se cobra excessivamente, assume responsabilidades demais, busca perfeição ou controle o tempo todo.

O pensamento “E se algo der errado?” é uma forma de antecipação negativa. Ele surge como uma tentativa de proteção: o cérebro quer prever o que pode dar errado para evitar

sofrimento. O problema é que, na maioria das vezes, essa proteção sai do controle, porque o sistema de alerta do cérebro, que deveria ser ativado apenas diante de um perigo real, passa a reagir a possibilidades imaginárias. Em outras palavras: o cérebro não diferencia bem o que é uma ameaça real do que é apenas um pensamento sobre uma ameaça


O que acontece com a gente

Quando imaginamos um possível erro, rejeição ou fracasso, o cérebro reage como se o perigo fosse real. O corpo libera adrenalina e outros hormônios como o cortisol, o coração dispara, a respiração muda, nos sentimos inquietos e a ansiedade se instala. Mesmo que nada esteja acontecendo de fato, já estamos pensando e vivendo o “pior cenário possível”.


Exemplo prático

Imagine uma pessoa que precisa apresentar um trabalho na faculdade. Um dia antes, ela pensa: “E se eu travar na frente de todo mundo?” “E se rirem de mim?” “E se o professor fizer uma pergunta que eu não saiba responder?” Esses pensamentos estão associados a uma sequência de emoções (medo, vergonha, insegurança) e comportamentos (evitar, procrastinar, perder o sono). O resultado? A ansiedade cresce e o desempenho tende a cair justamente por causa dela.


O ciclo ansioso

  1. Pensamento: “E se algo der errado?”

  2. Emoção: medo, preocupação, culpa.

  3. Reação física: taquicardia, tensão muscular, falta de ar.

  4. Comportamento: evitar situações, adiar decisões, buscar controle total.

Quanto mais o ciclo se repete, mais ele se fortalece.


Conclusão

Romper esse ciclo começa com um passo simples (mas poderoso): questionar o pensamento ansioso. Da próxima vez que ele aparecer, tente se perguntar: O que me prova que isso realmente vai dar errado? E se, em vez disso, der certo? Mesmo que algo saia diferente do esperado, o que eu posso fazer para lidar com isso? Essas perguntas ajudam a trazer o foco de volta ao presente, diminuindo o poder das antecipações.


Outras estratégias que podem ajudar:

  • Praticar respiração consciente ou meditação curta no dia a dia;

  • Anotar os pensamentos ansiosos e substituí-los por alternativas mais realistas;

  • Fazer atividades físicas leves para descarregar a tensão do corpo;

  • E, principalmente, buscar apoio psicológico.


A terapia é um espaço seguro para compreender a origem desses medos e aprender novas formas de enfrentá-los.

Se você sente que o pensamento “E se algo der errado?” tem dominado seus dias, considere agendar uma sessão. Aprender a lidar com a ansiedade não significa eliminar o medo, mas sim, recuperar o equilíbrio para seguir em frente, mesmo com ele.


 


 
 
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